Vida em Victoria – Entrevista com Aline Baracho

Hoje tem o projeto Vida em Victoria no blog! Com o intuito de compartilhar outras experiências e diferentes pontos de vista, resolvi convidar brasileiros que moram aqui para contar um pouco sobre eles.

A minha convidada especial é a Aline Baracho. Gosto da história da Aline porque mostra como pesquisar é fundamental. Não esqueço quando começamos a conversar pelo Instagram e fiquei encantada com o quanto ela já sabia sobre Victoria.

Percebi que antes de me “encher” de perguntas, ela já tinha lido o blog e outras fontes de informações confiáveis sobre a cidade e só me procurou com dúvidas sobre algo que não estava claro ou em busca de dados que não encontrou.

Preguiça de ler e pesquisar ela e o marido não têm e essa qualidade, além de outras, me fez querer ficar mais próxima deles. Afinal, eu também comecei a aprender muito com eles e gosto dessa troca saudável que uma boa amizade proporciona. E assim fomos conversando e trocando informações e experiências sobre o Canadá e a amizade nasceu naturalmente. 

Pri: O que você faz no Canadá?

Aline: O nosso projeto Canadá começou em 2012, quando casamos. Começamos a pesquisar todas as nossas opções de imigrar, fazer conta de pontuação, ver vídeos no YouTube, pesquisar cidades, conversar com amigos que já estavam por aqui. 

Nessa época, começamos a juntar dinheiro, pois o plano era um vir estudando e o outro trabalhando. Além disso, passamos a praticar muito o inglês. Todos os dias saíamos para caminhar depois do trabalho e fizemos um acordo de que só podíamos falar em inglês nessas horas. 

Estávamos sempre pesquisando, mas sempre surgia algo que nos fazia adiar o plano. Nesse meio tempo, nasceu nossa primeira filha e logo em seguida a segunda. Quando nossa caçula completou cinco meses, meu marido, que é da área de TI, participou de um evento de recrutamento em São Paulo e recebeu uma proposta para trabalhar no Canadá. 

Nessa mesma época, consegui uma vaga em um curso em Winnipeg e achamos que essa seria uma excelente oportunidade para o nosso projeto engrenar. Em questão de três meses, vendemos tudo que tínhamos no Brasil, preparamos toda a parte burocrática, nos despedimos de amigos e familiares e nos mudamos para o Canadá com duas crianças pequenas. 

Pri: Por que você escolheu Victoria? 

Aline: Quando estávamos para completar um ano em Winnipeg, meu marido recebeu uma proposta de uma empresa que tinha sede em Victoria ou Calgary. Nunca tinha cogitado vir morar em Victoria, mas ele veio conhecer e lembro direitinho de sua empolgação quando chegou da viagem. 

Eu amo morar em Victoria e agradeço sempre por termos vindo parar aqui. Winnipeg e Victoria são duas cidades bem legais, mas me encontrei mesmo aqui. Eu achei o inverno lá bem rigoroso e longo, a cidade muito espalhada e difícil de se locomover, mas o verão é incrível, o The Forks é um dos lugares mais legais que já conheci e as pessoas são incríveis – não é a toa que chamam de “friendly Manitoba”. 

Em Victoria, encontrei um ritmo de cidade pequena, mas com muitos confortos de cidade grande, a beleza natural de “Beautiful British Columbia” é incomparável e me sinto mais segura.

Pri: Na sua opinião, quais são os pontos positivos de morar em Victoria?

Aline: O clima é um grande atrativo para quem já morou em outras partes do Canadá. É muito mais fácil sair com crianças nesse clima! Mesmo aqui tendo fama de cidade chuvosa, sinto que tirando a virada do ano quando realmente chove mais, sempre abre um solzinho depois e a chuva aqui é muito mais leve do que no Brasil, então mesmo quando chove, com sapatos e roupas adequados, na maioria das vezes dá pra sair e fazer atividades ao ar livre também. 

Outro ponto positivo aqui é o contato com a natureza. Victoria tem muita opção de trilhas, parques, lagos e ciclovias que dão um respiro do urbano e parece que estamos mais isolados do que de fato estamos. A cidade é muito agradável para passear, tem muitas opções de restaurantes e parquinhos para as crianças. 

Gosto também do senso de comunidade forte que eles têm por aqui e o quanto reforçam a gentileza. Em geral, sinto que se você estiver disposto a pedir ajuda, alguém tentará te ajudar. 

Pri: E os negativos?

Aline: O maior ponto negativo de Victoria para mim é o custo de moradia, que na minha opinião é bem elevado e, como a demanda é alta, pode ser bem difícil achar opções. 

Logo que me mudei achei que seria mais “fácil” ir para Vancouver. Hoje vejo que não é tão simples assim, mas botei na minha cabeça que Vancouver fica a 4h de distância e não 1h30 e está tudo bem. Sei que algumas pessoas se incomodam com o fato de Victoria estar em uma ilha e se sentem um pouco mais isoladas e achei que isso poderia ser um ponto negativo para mim também, mas me incomoda menos do que imaginei inicialmente. 

Outro ponto negativo para mim é a “distância” do Brasil. Como Vancouver não tem um voo direto para o Brasil, sempre fazemos viagens bem mais longas, o que pode dificultar para aqueles que viajam com crianças, que têm familiares que não podem viajar por longos períodos ou que não sabem falar inglês. 

Pri: Qual é o seu lugar favorito na cidade? 

Aline: Essa pergunta é difícil. Quanto lugar legal tem aqui! Eu amo ver o pôr do sol em Saxe Point, ver a vista do High Rock, fazer trilhas, nadar no Thetis Lake e Beaver/Elk Lake, passear de bicicleta pela Dallas Road, tomar sorvete por Downtown, levar minhas filhas para andar de bicicleta próximo ao Hatley Castle. Tem realmente muitos lugares bacanas por Victoria. 

Pri: Que dica ou conselho você daria para quem está planejando morar no Canadá?

Aline:

  • Pesquise muito! Toda o nosso planejamento com certeza ajudou a nossa adaptação, mesmo que os planos tenham mudado várias vezes. 
  • Não crie expectativas fantásticas. O Canadá é um lugar muito bom para se viver, mas como todo lugar tem seus defeitos, que podem variar do ponto de vista de cada um. Preferi me preparar para o pior, principalmente financeiramente, e me surpreender positivamente que ao contrário. 
  • Venha com a mente aberta. Aqui a vida é nova. Apesar de todo o planejamento, vão acontecer muitas coisas inesperadas e muitas vezes precisamos estar abertos para sair do rumo pensado inicialmente e reajustar o projeto. 

Obrigada pelo convite, Pri! E obrigada por todas as dicas e as conversas que tanto ajudaram a nossa família. 

Aline, por nada! É um prazer e muito obrigada por aceitar o meu convite para fazer parte do Projeto Vida em Victoria. 

Fonte da foto: Aline Baracho

Leave a Reply

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.