Vida em Victoria – Entrevista com Wagner Montes

Hoje tem o projeto Vida em Victoria no blog! Com o intuito de compartilhar outras experiências e diferentes pontos de vista, resolvi convidar brasileiros que moram em Victoria para contar aqui no blog um pouco sobre eles.

O meu convidado de hoje é o Wagner, que conheci através do blog! Ele e a esposa são um exemplo perfeito do que me motiva a continuar escrevendo.

O Wagner entrou em contato comigo para tirar algumas dúvidas e fomos conversando e criando uma amizade. Ele é o tipo de pessoa que realmente fez a lição de casa e pesquisou muito antes de vir para cá.

Antes de colocar este post no ar, olhei a caixa de entrada do blog e achei um email dele de 2017 dizendo que ele e a esposa já estavam em Victoria e gostariam de me conhecer pessoalmente. Que gostoso esse carinho!

Não vou esquecer do nosso primeiro café em um dos meu lugares favoritos, o Habit Coffee, e até o meu marido se juntou a nós. E foi ali que uma amizade se iniciou. A Carla, esposa do Wagner, tornou-se uma das minhas ajudantes no Projeto Aquarela, dedicando seu tempo e amor à nossa cultura. 

Sei do esforço e dedicação do Wagner para entrar no mercado de trabalho aqui e também admiro como ele e a esposa tentam fazer amizades com todos, não somente brasileiros. Por isso, quis trazer o Wagner para contar um pouco da experiência dele para vocês.

Pri: O que você faz no Canadá?

Wagner: Viemos morar no Canadá há quase 4 anos, através do visto de estudo de minha esposa Carla, que completou um PDD em Business Administration no Camosun College. Conseguimos a residência permanente dois anos depois, via Express Entry Canadian Experience Class. Vieram conosco dois gatinhos, Sheldon e Penny.

Atualmente, sou Technical Business Analyst em uma empresa de TI daqui da cidade, trabalhando grande parte do tempo em projetos do governo. No Brasil, trabalhava como Account Manager, com foco em serviços de vídeo para telecomunicações, mas minha formação original é cinema. Fui cinematógrafo por alguns anos antes de começar a trabalhar com tecnologia.

Pri: Por que você escolheu Victoria? 

Wagner: Em 2015, fizemos uma viagem para Vancouver, onde ficamos um mês curtindo a cidade e as redondezas. Conhecemos Victoria nesse período e voltamos para o Brasil certos de que queríamos morar em British Columbia. Após alguma pesquisa, Victoria ficou como nossa primeira opção, muito pelo fato de que já morávamos em uma grande cidade, São Paulo, e estávamos no espírito de curtir mais a natureza. Naquele momento, nem chegamos a cogitar viver em outra região do Canadá. 

Pri: Na sua opinião, quais são os pontos positivos de morar em Victoria?

Wagner: Victoria é certamente um dos lugares mais bonitos do mundo. É uma cidade linda, charmosa, confortável e amistosa. Para quem gosta de pedalar, fazer hiking, SUP e tantos outros esportes e atividades outdoor, Victoria é o lugar para se viver. A natureza aqui é ao mesmo tempo selvagem e acessível. São dezenas de quilômetros de ciclovias, tanto na área urbana quanto floresta adentro, diversos lagos e baías espetaculares, e muitas coisas que ainda não descobrimos.

Sendo a capital da província, a infraestrutura da cidade é muito boa e bem distribuída. Você não precisa morar no centro da cidade para estar próximo de supermercados, farmácias, escolas e todo tipo de serviço, sendo comum ter amigos morando em cidades vizinhas. Nós mesmos, moramos em View Royal, que é um distrito próximo à capital.

A cidade oferece uma quantidade significativa de empregos em restaurantes, hotéis, construção e serviços, sendo relativamente fácil de encontrar oportunidades entry level, como são chamados os trabalhos para iniciantes, muitas vezes com menor remuneração. Existe também uma oferta generosa de empregos em ministérios e outros órgãos governamentais. Entretanto, essas vagas normalmente priorizam cidadãos e residentes permanentes, dificilmente sendo opção para recém-chegados.

Pri: E os negativos?

Wagner: Para quem vem de uma cidade grande no Brasil e curte vida urbana, Victoria pode ser um tanto monótona. É a cidade preferida dos aposentados canadenses. Victoria não tem o ar cosmopolita de Vancouver. Não tem agito aqui.

A Grande Victoria é pouco densa e muito espalhada. Mesmo com ciclovias e natureza, você vai querer ter um carro se quiser morar fora do centro.

Outra questão muito relevante é a limitada oferta de trabalhos qualificados. Existe um polo tecnológico em desenvolvimento na região, mas que nem se compara ao que você encontraria em Toronto, ou mesmo Vancouver. Se você é um especialista em uma determinada área (e quer ficar nela) pode encontrar poucas ou nenhuma opção.

A cidade é provinciana. Referências locais chegam a ser mais importantes que o currículo. Eles não costumam dar muita relevância para nossa experiência profissional fora do Canadá. Conta muito mais as habilidades que você consiga provar. Isso torna uma grande vantagem saber fazer algo que seja “demonstrável”. Isso vale tanto para quem, por exemplo, tem experiência em jardinagem ou  programa em determinada linguagem.

No meu caso, vi que os empregadores davam muito mais valor aos meus conhecimentos técnicos (que já não usava no Brasil há alguns anos) do que minha experiência corporativa, que eu achava que era meu grande diferencial. Sendo honesto, eles subestimam bastante nossas realizações fora do Canadá. Caso você não tenha uma habilidade demonstrável, esteja preparado para praticamente recomeçar a carreira. No meu caso, isso foi uma oportunidade para mudar de área, o que acontece com muita gente.

Pri: Qual é o seu lugar favorito na cidade?

Wagner: Oak Bay Marina. Especificamente um pequeno café ali que tem vista para os barcos. Passamos muitas horas ali recuperando as energias, conversando com amigos, lamentando as dificuldades e comemorando as vitórias.

Pri: Que dica ou conselho você daria para quem está planejando morar no Canadá?

Wagner: As coisas não vão sair como planejado, mas planeje. Tenha boa margem de manobra, tanto financeira, quanto de tempo e energia. Não opere no limite: é uma maratona, não uma corrida de cem metros rasos. As coisas vão dar certo. Os problemas de hoje acabam virando as soluções do amanhã. Faça amigos. Conte com eles.

Wagner, muito obrigada por aceitar o meu convite para fazer parte do Projeto Vida em Victoria. 

Aos leitores, fiquem de olho no blog! Todo mês vou entrevistar um brasileiro ou brasileira, que admiro, para o projeto.

Fonte da foto de capa: Wagner Montes

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