Vida em Victoria – Entrevista com Lucas Rosa

Hoje tem o projeto Vida em Victoria no blog! Com o intuito de compartilhar outras experiências e diferentes pontos de vista, resolvi convidar brasileiros que moram em Victoria para contar aqui no blog um pouco sobre eles.

O meu convidado de hoje é o Lucas Rosa. Eu gosto muito da história dele porque chegar ao Canadá sem falar inglês não é fácil. Com a cara e a coragem e muita humildade, ele foi procurar emprego e conseguiu um rapidamente.

Acompanhei a história do Lucas desde quando ele chegou aqui porque conversava com a esposa dele, por conta do blog. No final, ela acabou indo trabalhar comigo e ficamos amigas. Eu me sinto privilegiada por poder acompanhar a história deles de perto e admiro muito a atitude positiva e também a humildade dos dois.

Não poderia deixar de convidar o Lucas para o Projeto Vida em Victoria! E a Mariana pode se preparar por que ela vai receber um convite também. rsrs

Pri: O que você faz no Canadá? 

Lucas: Cheguei com minha esposa no Canadá em dezembro de 2017. Ficamos dois dias em Vancouver e depois viemos para Victoria, ela com visto de estudo/trabalho e eu com o de trabalho. Passeamos o restante do mês de dezembro e janeiro, conhecendo lugares e pessoas. 

Em fevereiro, veio meu primeiro desafio: como arrumar emprego com inglês zero? Sem falar ou entender nada? Lembro como se fosse hoje quando minha esposa escreveu algumas frases em inglês num caderno, coloquei meu currículo e o caderno na mochila e saí pelo centro tentando achar alguma vaga na construção civil, a área em que eu trabalhava no Brasil. Depois de tentar em algumas obras sem sucesso (segundo os encarregados, eles não estavam contratando no momento), retornei para casa.

No dia seguinte, minha esposa lembrou que tinha visto que um Tim Hortons perto da nossa casa estava contratando. Novamente, coloquei o currículo e o caderno com as frases em inglês na mochila e fui até lá, pedi para falar com a gerência, voz trêmula mas com muita coragem. Ela veio e me encheu de perguntas, não entendi nada, mas disse que estava disposto a trabalhar da hora que a loja abrisse até a hora que fechasse. Ela pegou meu currículo e disse que entraria em contato. Após dois dias, recebi um e-mail da gerente perguntando se ainda queria trabalhar com eles, na posição de baker, 40 horas por semana, de segunda a sexta.

Quatro dias depois, comecei na função. Apesar de não entender nada do que falavam comigo, consegui desenvolver o trabalho muito bem, sempre com um sorriso no rosto e com o celular no tradutor na mão. Alguns meses depois, também consegui outro emprego, na Gap, três vezes por semana pela manhã, abrindo caixas de roupas e acessórios. 

Em setembro de 2018, virei supervisor do Tim Hortons. Apesar da promoção, pedi para trabalhar part-time e à noite, pois sentia que precisava buscar novos desafios, como aprender uma profissão. Acredito que isso seja muito importante aqui, então, consegui um emprego de ajudante geral do superintendente de uma obra em Langford (engraçado que hoje eu moro no mesmo prédio que ajudei a construir naquela época). Lembro de momentos bons e ruins na obra, retirando neve a semana inteira sozinho e as risadas com as conversas com os colegas, que muitas vezes eu nem entendia direito…rsrs. Após alguns meses, eu saí e fui tentar coisas novas, como limpar vidro, pintor, carpintaria.

Em meados de 2019, recebi uma proposta da gerente do Tim Hortons: se eu retornasse full time, ela me daria a função de assistente de gerente. Aceitei e em 2020, virei gerente de uma outra loja (do mesmo dono). Quando a pandemia chegou no Canadá, em março, o proprietário das lojas do Tim decidiu vendê-las, todos os funcionários foram dispensados com a possibilidade de serem recontratados pelo novo dono e assim encerrei minha jornada no Tim. Com a abertura do comércio três meses depois, resolvi tentar algo novo e fiz o curso de traffic control person. Consegui emprego uma semana depois, onde estou até o momento.

Pri: Por que você escolheu Victoria?  

Lucas: A escolha de Victoria não foi nossa. Minha esposa me perguntou se queria tentar a imigração pro Canadá, topei na hora sem saber de nenhum detalhe. Minha cunhada morou um ano aqui, em Montreal e depois em Toronto, retornou para o Brasil com vontade de voltar e imigrar. Chamou então minha esposa para fazer parte do plano, ela que pesquisou tudo, cidade e faculdade, e um dos pontos principais na decisão final foi seu blog, onde você descrevia a vida aqui na ilha e o curso que você fazia. Quando ela foi pesquisar sobre a Universidade de Victoria, descobriu que era a mais barata de todo o Canadá na época. Um fato curioso é que a minha cunhada desistiu de vir, abriu o próprio negócio e ficou no Brasil. Nós resolvemos vir mesmo assim.

Pri: Na sua opinião, quais são os pontos positivos de morar em Victoria?

Lucas: Temos um clima maravilhoso (falando de Canadá) e com certeza é um dos fatores que mais gostamos daqui. Victoria tem um ar de cidade pequena mas é bem espaçosa e bem dividida. Apesar dos moradores de rua e muitas pessoas com problemas mentais, a cidade é relativamente segura e de fácil acesso. Tem vários empregos disponíveis em diferentes áreas. 

Pri: E os negativos?

Lucas: Para um nordestino, acostumado com bastante sol, ficar alguns meses de muito tempo nublado e com o nascer do sol muito tarde e o pôr do sol muito cedo, é bastante difícil. A média do custo de vida aqui pode ser mais alta do que em relação a outras cidades do Canadá. Aluguel ou compra de imóvel é bastante caro na ilha.

Pri: Qual é o seu lugar favorito na cidade?

Lucas:  Eu ainda não conheço tudo em Victoria, mas dos lugares que visitei, gosto muito do Mount Douglas, a vista vale a pena a subida, gosto do pôr do sol na Dallas Rd., de visitar o Hatley Castle no começo do outono, do nascer do sol na King George Terrace, de subir o Bear Mountain nevando, passar a tarde em Saxe Point no verão e de fazer caminhadas próximo ao mar ou lagos.

Pri: Que dica ou conselho você daria para quem está planejando morar no Canadá?

Lucas: As dicas de quem está querendo uma mudança do Brasil para o Canadá é pesquisar bastante a cidade que queira começar essa jornada. Pesquisar na internet primeiro, verificar fontes diferentes. Temos tanta informação ao nosso alcance. Normalmente, quem vem do Brasil para o Canadá tem uma condição financeira boa lá e com isso algumas regalias. É bom vir preparado para uma realidade diferente. Outra coisa importante é entender que não existe subemprego. O que pode existir é um emprego que você vai ficar até conseguir um na área que você deseja. Vir com esse estigma pra cá é muito ruim.

Lucas, muito obrigada por aceitar o meu convite para fazer parte do Projeto Vida em Victoria. 

Aos leitores, fiquem de olho no blog! Todo mês vou entrevistar um brasileiro ou brasileira, que admiro, para o projeto.

Fonte da foto de capa: Lucas Rosa

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