Vida em Victoria – Entrevista com Mabel Marin

Hoje é dia do projeto Vida em Victoria! Com o intuito de compartilhar outras experiências e diferentes pontos de vista, resolvi convidar brasileiros que moram em Victoria para contar aqui no blog um pouco sobre eles. 

Hoje converso com a Mabel Marin, que mora no Canadá há mais de 7 anos. Ela veio para Victoria com o marido Alex e a filha de quatro patas, Bisnaga. Conheci a Mabel em um dos nossos piqueniques com a Comunidade Brasileira. Eu simpatizei com ela e do Alex logo de cara.

Com o tempo, passei a acompanhar um pouco do seu cotidiano pelas redes sociais e a admirar a forma como Mabel encara a vida: ela vê alegria nas pequenas coisas do dia a dia e está sempre disposta a ajudar ao próximo.

Pri: O que você faz no Canadá?

Mabel: Eu e meu marido Alex estamos há pouco mais de sete anos no Canadá. Depois de fazer váááários bicos em lugares e áreas diferentes, há mais de dois anos, sou coordenadora de Marketing e Comunicação em uma organização não governamental e sem fins lucrativos chamada Victoria Women in Need Community Cooperative (WIN). Pra quem não conhece, a WIN é como se fosse uma thrift store. A gente vende coisas usadas que são doadas à organização, e com o dinheiro das vendas, oferecemos programas à mulheres (e pessoas que se identificam como mulheres). Geralmente, mulheres que saíram de relacionamentos abusivos, mas não exclusivamente. Pra quem está chegando em Victoria, a WIN é um ótimo lugar pra comprar coisas boas e de qualidade para casa (pratos, talheres, panelas…). E pra quem está indo pra outra cidade, procure uma loja de coisas usadas! Você encontra produtos melhores que os do Walmart e mais baratos. 😉

Mas, voltando ao assunto, já trabalhei na biblioteca da minha universidade (graduei em 2017), trabalhei como vendedora no The Hudson’s Bay, como babá, numa outra ONG chamada The Didi Society. Também trabalhei com crianças com autismo, em uma startup na área de marketing, em uma imobiliária… etc… Tive vários empregos diferentes e divertidos em Victoria! Adorei! Foi ótimo pra conhecer várias áreas e pessoas!

Pri: Por que você escolheu Victoria?

Mabel: Não sei se escolhi Victoria ou se Victoria me escolheu. Quando eu e Alex estávamos pensando em sair de São Paulo e vir para o Canadá, queríamos uma cidade grande, que fosse um pouco mais parecida com São Paulo, para que a gente não estranhasse tanto a mudança. Pensamos logo em Vancouver, porque faz menos frio durante o inverno, comparado com Toronto, por exemplo. Eu já tinha ido pra Montreal no inverno uma vez, e sabia que viver tantos meses debaixo de neve não seria fácil.

A ideia era conseguir vir pro Canadá de alguma forma, e achamos que se eu viesse como estudante e o Alex automaticamente ganhasse o visto de trabalho, seria o ideal. Começamos a procurar um curso que tivesse alguma coisa relacionada com sustentabilidade e meio ambiente (detalhe, eu quase completei uma faculdade de cinema no Brasil hehe). 

Então, em meio à nossa procura, surgiu a Royal Roads University, que oferece um bacharel em business que é focado em sustentabilidade e meio ambiente. Achei genial e me apaixonei pelo programa do curso. 

Fui aceita na universidade e então os planos pra mudar do Brasil pra Victoria começaram! Foi por causa da universidade que conhecemos essa cidade pela qual nos apaixonamos tanto: Victoria!

Engraçado que quando começamos a pesquisar sobre Victoria, em 2013, e lemos que a cidade tinha pouco mais de 80 mil habitantes, achamos que seria um lugar beeem pequeno, sem vida, sem coisas pra fazer… Pensamos logo que seria como morar em uma cidade do interior em São Paulo.

Quando chegamos aqui, fomos surpreendidos! Jamais imaginava que a Grande Victoria tem, na verdade, treze municípios e que apenas um deles tinha 80 mil habitantes. O conjunto das municipalidades tem quase 400 mil habitantes e a área geográfica é bem maior do que imaginávamos. 

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Pri: Na sua opinião, quais são os pontos positivos de morar em Victoria?

Mabel: É uma cidade que se disfarça de pequena, mas tem muitos atrativos. Vou comentar sobre tudo, como se não estivéssemos em uma pandemia. Estou grávida agora, então estou limitando minhas atividades entre minha bolha de amigos e minha casa e mais nada.

Mas, antes da pandemia, tudo era diferente! Amo Victoria por causa dos inúmeros pubs e cervejarias locais – Victoria é a segunda cidade da América do Norte com o maior número de restaurantes per capita (ou pelo menos era, só atrás de São Francisco). Amo ir a pubs e beber cerveja. Sinceramente, acho um dos maiores atrativos de Victoria!

Aqui também temos acesso à inúmeras praias, lagos e trilhas. A natureza está em todo lugar. Estamos realmente em uma cidade linda. Não precisamos dirigir tanto pra chegar em uma trilha linda. E para onde olhamos, tem uma montanha.

Aqui também temos um clima bastante ameno. Não faz muuuito calor no verão, mas o suficiente pra aproveitarmos a praia e lagos. E durante o inverno, não fica muito frio. Raramente, temos temperaturas negativas.

Mystic Beach
Pri: E os negativos?

Mabel: Acho que às vezes os pontos positivos podem se tornar negativos. O fato de termos tantas coisas ótimas aqui, e acesso à natureza tão facilmente, torna o custo de vida em Victoria bem alto. Não é fácil achar um aluguel barato (e pet friendly) por aqui. Comprar imóveis, então, é bem difícil comparado com outras cidades canadenses do mesmo tamanho que Victoria. 

Também por ser a capital de BC acaba se tornando uma cidade bem turística, então, no verão, Victoria recebe muitos turistas, deixando tudo ainda mais caro. 

Além disso, não vamos esquecer, Victoria fica na Ilha de Vancouver, ou seja, o acesso ao continente é bem difícil e caro. Pra sair daqui, temos que pegar balsa ou avião. E nada disso é barato.

Pri: Qual é o seu lugar favorito na cidade?

Mabel: Essa é uma pergunta muito difícil. Dependendo da estação do ano, do horário, do mood… Talvez em um dia tranquilo de verão seja o Sooke Pot Holes. Acho lindo aquele lugar, e às vezes dá pra achar um cantinho bem quieto. 

Sooke Pot Holes
Sooke Potholes

Quando morava na Gorge, gostava bastante de andar pela ponte de madeira perto do Glo Restaurant, na Galloping Goose Trail. A gente cruzava a ponte na direção contrária a downtown, sentava em uma pedra grande de frente pra água e ficava olhando o movimento. Raramente tinha alguém por lá. Agora faz alguns anos que não vou, mas era lindo!

Se for em dia meio chuvoso, aproveito pra passar HORAS no Royal BC Museum. Eu amo aquele museu, e iria sempre, se pudesse. Se você quiser saber mais sobre a história de Victoria e a história dos First Nations, é um ótimo começo!

Mas se for uma sexta a noite, acho que um pub em downtown. Agora, qual pub, já não sei! As pessoas devem explorar todos!!! 

Galloping Goose
Pri: Que dica ou conselho você daria para quem está planejando morar no Canadá?

Mabel: Talvez você já tenha sua cidade em mente e talvez não. Mas o fato é que cada cidade tem uma vibe diferente. Quando a gente vai pra Vancouver, hoje em dia, não gostamos tanto. Acho que é muito agitado, mas você pode amar! Então, não venha para o Canadá sem estar disposto a experimentar. Uma vez que você estiver aqui, deixe a aventura te levar.

Traga dinheiro! Economize bastante e venha com grana suficiente pra segurar as pontas por alguns meses (entre comida, aluguel, etc). Não ache que porque você é diretor de XYZ, que você vai conseguir um emprego na sua área right away. Venha disposto a trabalhar com coisas que você não imaginava pra segurar as pontas. Aqui tudo (ou a maioria das coisas) funciona à partir da conexão com as pessoas. Então, quanto mais gente você conhece, mais oportunidades surgem. É questão de QI (quem indica). Venha com a mente aberta!

Se você não fala inglês e está planejando vir pra ficar, tudo bem! Mas esteja disposto a trabalhar com o público. Eu acredito firmemente que quanto mais você pratica inglês, mesmo sem saber se está falando certo, mais você aprende! E a melhor forma de falar livremente e aprender é trabalhando com o público! Indico trabalhar em alguma loja grande e bastante movimentada. Mas se você está vindo pra estudar em uma universidade ou faculdade, então você precisa ter o inglês bem avançado antes de chegar aqui. 😉

Esqueça tudo que você conhece no Brasil em termos de fazer qualquer curso superior! Aqui as universities/colleges demandam muito mais tempo do aluno fora da sala de aula do que você pode imaginar. Não é impossível trabalhar enquanto você estuda, eu fiz isso durante os quatro anos de universidade, até ter um ataque de ansiedade e assumir que eu precisava diminuir o ritmo.

Mabel, muito obrigada por aceitar o meu convite para fazer parte do Projeto Vida em Victoria compartilhando a sua história. Obrigada também pelas fotos lindas!

Aos leitores, fiquem de olho no blog! Todo mês vou entrevistar um brasileiro ou brasileira, que eu admiro, para o Projeto Vida em Victoria!

Fonte das fotos: Mabel Marin

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