Vida em Victoria

Vida em Victoria – Entrevista com Léo Fonseca

Hoje começo um novo projeto no blog, Vida em Victoria! Com o intuito de compartilhar outras experiências e diferentes pontos de vista, resolvi convidar brasileiros que moram em Victoria para contar aqui no blog um pouco sobre eles. 

Para abrir o nosso projeto, convidei um brasileiro que admiro, não só porque ele me ajudou a organizar o primeiro picnic da Comunidade Brasileira em Victoria (rsrs), mas também pela sua seriedade e vontade de sempre ajudar os compatriotas com informações relevantes.

Apresento a vocês, o Léo Fonseca, mineiro, que está no Canadá há 5 anos.

Pri: O que você faz no Canadá?

Léo: Nestes cinco anos no Canadá, trabalhei em três empresas como software developer e, atualmente, estou trabalhando para um órgão da província de British Columbia. Minha esposa veio estudar Business na Camosun e minha filha está na Middle School agora.

Pri: Por que você escolheu Victoria?

Léo: Eu queria uma cidade que não fosse grande como Toronto e Vancouver, pois queria fugir de problemas como trânsito pesado, violência etc. Eu tinha escolhido Ottawa, pois descobri que era a cidade com mais empresas de TI do Canadá, depois de Toronto e Vancouver.

Resolvi visitar Ottawa para conhecer e realmente gostei bastante, mas o frio pode atingir temperaturas de -15C ou menos. Isso me desanimou, pois a adaptação da família pode ser complicada num cenário destes, afinal não estamos acostumados a um inverno tão rigoroso.

A consultora que estava me ajudando no processo tinha morado em Victoria e falou super bem da cidade. E o frio é bem mais suportável. Então, resolvemos vir pra cá, pensando na adaptação mais fácil para a minha filha e na possibilidade de que eu conseguiria um emprego na minha área(TI). E realmente foi uma ótima decisão.

Pri: Na sua opinião, quais são os pontos positivos de morar em Victoria?

Léo: É uma cidade com toda a infraestrutura de uma cidade grande, mas com jeito de cidade do interior. Minha família adora a cidade. A população é muito prestativa e amigável.

Tenho um caso marcante. Tinha mais ou menos um mês que estávamos aqui, cheios de dúvidas e pensamentos diversos, e veio o Dia das Mães. Minha filha fez um trabalho na escola para minha esposa, e quando fomos buscá-la na escola, ela pediu para brincar com as amigas e ficamos esperando. Mais tarde, quando chegamos em casa, minha filha percebeu que tinha esquecido o trabalho no pátio da escola. Na nossa cabeça, “Ah… agora esquece! Já sujou e rasgou! Perdeu!”. No dia seguinte, quando fomos deixá-la na escola, andamos até o pátio para ver se tinha algum vestígio do trabalho. Alguém tinha pegado o trabalho, colocado num ziplock (pois podia chover!) e pôs uma pedra em cima (pois o vento podia levar!). E este gesto, nos fez pensar que realmente aqui era a nossa nova casa.

Victoria é cheia de detalhes: mini bibliotecas em alguns pontos de ônibus, vasos de flores pela cidade na primavera, todo mundo agradece o motorista quando desce do ônibus, raramente escuto alguém buzinando descontroladamente. Gosto muito das praias ao redor da cidade, apesar de não ter nada a ver com as praias brasileiras. Realmente, é a cidade que eu sempre quis morar.

Leia também: Meu plano Canadá e como Victoria entrou na minha vida!

Pri: E os negativos?

Léo: Eu diria para quem está lendo e gosta de badalação, barulho, movimento, não venha para Victoria! Eu morava em Belo Horizonte no Brasil, muitas vezes íamos para o Shopping às sete ou oito da noite, aqui em Victoria, às seis da tarde já está tudo praticamente fechado.

Poucos eventos no inverno, como neva pouco por aqui, eu esperava mais da cidade.

Se você não tem carro, a vida pode se tornar repetitiva, pois chega uma hora que você conhece tudo e fica difícil achar alguma coisa diferente para fazer dentro da cidade.

O Réveillon é deprimente (nem um foguetinho… kkkkk), além de ser o último no mundo por causa do fuso horário.

Mas mesmo assim, não trocaria Victoria por outra cidade!

Pri: Qual é o seu lugar favorito na cidade?

Léo: Tem vários lugares que gosto. Das praias, eu gosto da Willows Beach. Dos lagos, eu gosto do Beaver Lake, principalmente para caminhar, correr ou pedalar. Dos pontos turísticos, o Parlamento é muito legal e o Butchart Gardens é imbatível.

Pri: Que dica ou conselho você daria para quem está planejando morar no Canadá?

Léo: Eu vim para o Canadá com 39 anos, casado e com uma filha, então essas dicas são baseadas nesse cenário de vida, pois acredito que a perspectiva de quem vem solteiro ou sem filhos deva ser um pouco diferente.

Eu diria para pensar em três pontos fundamentais:

1) Após decidir pra onde ir, estudar ao máximo o lugar, se puder visitar melhor ainda. Converse com os brasileiros que moram na cidade para identificar os pontos positivos e negativos. Estude tudo que puder. Principalmente, se você for para um lugar que faz muito frio no inverno, como Toronto, Montreal ou Calgary.

2) Tenha dinheiro! Dentro dos meus estudos sobre Victoria, custo médio de aluguel, alimentação, transporte etc, eu tinha dinheiro para sustentar a família por um ano e meio. Consegui meu primeiro emprego (software developer) com sete meses de Canadá.

3) Jogue seu orgulho no lixo, venha com o coração aberto e se adapte ao Canadá. Não é o Canadá que tem que se adaptar a você, lembre-se disso! Principalmente se você não sabe inglês muito bem ainda, alguns empregos, como trabalhar em caixa de loja, podem te ajudar muito a melhorar o listening, pois você estará imerso na língua totalmente. Um emprego na área de vendas te obrigará a ter um speaking melhor e por aí vai. Mas se seu inglês já é bom e você conseguir trabalhar na sua área de atuação, melhor ainda!

Espero ter ajudado e diria que eu tenho apenas um arrependimento: não ter vindo antes!!! ehehehe

Léo, muito obrigada por aceitar o meu convite para fazer parte do Projeto Vida em Victoria compartilhando a sua história.

Aos leitores, fiquem de olho no blog! Todo mês vou entrevistar um brasileiro ou brasileira, que eu admiro, para o Projeto Vida em Victoria!

Fonte da foto: Léo Fonseca.

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