parto normal no Canadá

Como foi a minha experiência com parto normal no Canadá?

Quero compartilhar com vocês como foi fazer parto normal no Canadá. Saliento que moro na cidade de Victoria, na Colúmbia Britânica, e os procedimentos podem variar de uma província para outra.

Estou escrevendo o post baseado nas perguntas que os meus familiares e amigos me fizeram quando o meu bebê nasceu. Eu nunca tive filhos no Brasil, então, não tenho como comparar. 

Adianto para vocês que a minha experiência foi maravilhosa. É só tenho elogios ao Victoria General Hospital e a todos os profissionais envolvidos.

Seu filho nasceu em um hospital público ou privado?

O sistema de saúde no Canadá é público. Em Victoria, todos os bebês nascem no Victoria General Hospital, não há outra opção. Independente da condição financeira, todas as mulheres dão à luz no mesmo hospital. O atendimento é igual para todos. Viva o Canadá e a igualdade! 

Você teve parto normal ou cesária?

O parto normal é o procedimento padrão, a cesariana é feita somente em casos de urgência ou se o médico e a paciente, por algum motivo de saúde que traga riscos para a mãe ou para o bebê, entrarem em acordo.

Quando você sabia que era a hora de ir ao hospital para ter o seu bebê?

As minhas médicas me orientaram a ir imediatamente para o hospital se a bolsa estourasse ou se as contrações de um minuto acontecessem em um intervalo de cinco minutos por hora. E, se eu precisasse, poderia ligar para o número de emergência delas.

Em uma quinta-feira à noite, senti como se a minha menstruação tivesse vindo. Ao ver que havia algo avermelhado e líquido na minha calcinha, liguei para o número de emergência, descrevi o que eu via e sentia, e a médica de plantão pediu para eu ir ao hospital.

No hospital, fui examinada e foi constatado que o fluido não era líquido amniótico. Então, fui liberada para ir para casa. No dia seguinte, tive uma consulta com a médica e ela explicou que o que tinha acontecido na noite anterior foi que o famoso “tampão” (plug mucus em inglês) tinha caído e que o bebê poderia chegar a qualquer momento, ou seja, em algumas horas ou até mesmo em duas semanas.

Naquele momento, não senti nenhuma dor ou contração. Como estava me sentindo bem e disposta, continuei trabalhando e fazendo as coisas que já estavam planejadas. 

Três dias depois, a minha bolsa estourou. Não me pergunte como, mas eu sabia que era a bolsa e não mais um alarme falso. Liguei para o número de emergência das médicas avisando que eu estava a caminho do hospital, mas antes tomei um copo de leite com achocolatado e comi um belo sanduíche de queijo. Essa dica de comer antes de ir para o hospital eu recebi no curso de pré-natal que fiz. Afinal, precisamos de energia para o parto. 😉 

Leia também: Gravidez no Canadá: minha primeira consulta e meu primeiro trimestre.

Quais foram os procedimentos tomados no hospital?

No hospital, me levaram para a sala de triagem e fizeram o exame que confirmou que a bolsa tinha estourado. Fui avisada de que eu não sairia de lá sem ter o bebê. Uma enfermeira se apresentou dizendo que estaria comigo até às 7h da manhã, quando o turno trocaria. 

A médica de plantão, que faz parte do grupo de médicas da maternidade, me examinou e constatou que as minhas contrações não estavam evoluindo. Ela disse que se não evoluíssem até a manhã seguinte, a opção seria entrar com Oxitocina, um medicamento que provoca contrações, induzindo o parto.

A médica explicou tudo detalhadamente, sempre querendo saber se eu concordava com os procedimentos adotados. Ela leu na minha ficha que eu havia solicitado tomar anestesia, mas como eu não estava tendo contrações, ainda não era o momento. 

Ela me orientou a caminhar pelo hospital e a subir e descer as escadas para estimular as contrações. Eu cheguei ao hospital por volta da meia-noite e meia e durante toda a madrugada, andei pelos corredores, mas as contrações seguiram bem fraquinhas.

Nos momentos em que eu não estava andando, estava na cama conectada a um aparelho que monitorava o coração do bebê e as minhas contrações.

Na manhã seguinte, os turnos da enfermeira e da médica trocaram. Elas me informaram que as contrações não evoluíram e que iram entrar com o medicamento.

Tomei belo café da manhã e também havia sucos e lanchinhos disponíveis, caso eu quisesse comer mais. Por volta das 9h30, a Oxitocina foi administrada de forma intravenosa e, aos poucos, as contrações foram aumentando.

Quem estava no quarto com você?  Quem fez o parto?

Além da enfermeira, estavam comigo o meu marido e a minha sogra. Quando as contrações ficaram insuportáveis e eu pedi para tomar a anestesia, a médica verificou a minha dilatação e, como já estava completa, não deu tempo de tomar a anestesia.

Quando ela disse: It is time to push! , confesso que bateu um medo da dor, mas a equipe foi conversando comigo e me acalmando. 

O tempo todo fui cuidada pelas enfermeiras. A médica só entrou em cena quando chegou a hora de fazer o parto. Lógico que ela veio conversar comigo algumas vezes, mas todo acompanhamento foi feito pelas enfermeiras.

No momento do trabalho de parto, mais especificamente na hora de empurrar, estavam no quarto duas enfermeira, a médica, meu marido e minha sogra. Meu trabalho de parto durou 45 minutos e, assim que o bebê nasceu, colocaram o meu filho sobre o meu peito (pele com pele). Os primeiros exames no bebê foram feitos ali mesmo, com ele sobre mim.

O bebê estava posicionado com o rosto virado para cima (posição cefálica defletida), por isso, o parto foi um pouco mais difícil e acabei tendo uma laceração perineal. Mas, sinceramente, o momento foi tão intenso que não sei se senti menos ou mais dor por conta disso. Só sei que a médica foi sensacional!

Lembro que, quando colocaram o meu filho em meu peito, a médica disse que eu tive uma laceração pequena, de nível 2, e que isso era esperado devido a posição do bebê.

Somente na primeira consulta no consultório, uma semana depois do parto, foi que eu entendi o que a posição do bebê havia causado laceração. A médica explicou que o fato da cabeça dele estar virada totalmente para cima faz com que a circunferência fique muito maior do que ela é. Ela explicou que se ele tivesse nascido com 40 semanas, provavelmente, teria sido necessária uma cesárea.

Um detalhe ainda sobre o parto aqui é eles oferecem a placenta para os pais. Isso mesmo! Eu já sabia disso, mas quando a enfermeira veio segurando a placenta, perguntando se queríamos, foi bem estranho! Tem casal que leva a placenta para casa e come. Não conheço ninguém que fez isso. Perguntei a todos os meus amigos canadenses que tiveram filhos e eles também acham estranho.

Eles também oferecem para o pai cortar o cordão umbilical. O meu marido aceitou, foi lindo!

Tomou anestesia?

Como mencionei antes, eu não tomei anestesia porque não deu tempo. Até me ofereceram um gás anestésico que você inala e ameniza a dor, mas eu senti claustrofobia e não quis usar o gás.

Bom, uma coisa que aprendi é que deveria ter pedido a anestesia bem antes. Eu achei que tinha que esperar a dor ficar insuportável. Mesmo eles tendo anotado que eu queria tomar a peridural, tinha que ter pedido antes. Tem que partir do paciente o desejo de tomar anestesia, as enfermeiras não vão perguntar.

Vale citar que não é porque você pediu para tomar anestesia que você vai tomar. Se tiver outra (s) paciente (s) passando por uma cesária na mesma hora em que você estiver em trabalho de parto, o anestesista (s) vai estar atendendo a esses pacientes. E pode ser que não dê tempo de você tomar anestesia.

Sinceramente, eu acho que deveria ter me preparado para fazer o parto sem anestesia porque ele acabou acontecendo sem. Na hora que a médica me examinou e informou que eu estava com dilatação completa e não tinha tempo para a anestesia, eu me apavorei. Fiquei com medo da dor. 

Se eu tivesse trabalhado isso no meu psicológico antes e me preparado para não tomar a peridural, acredito que teria encarado de maneira diferente e seria mais fácil. Se fosse hoje, eu me prepararia para não tomar anestesia. Até porque minha recuperação foi ótima, muito rápida. E depois de algumas semana a gente já não lembra da dor e já quer ter outro filho. rsrs

Seu parto foi humanizado?

Eu considero que sim. Acredito que um parto humanizado é ter uma enfermeira o tempo todo ao seu lado, orientando, apoiando e explicando todos os procedimentos que estão sendo adotados. O fato de meu marido e minha sogra terem me acompanhado o tempo todo e, na hora do parto, ter tido os dois ao meu lado, me dando as mãos, foi um momento humanizado.

Meu filho teve contato comigo assim que nasceu e ficou o tempo todo junto a mim. Tive enfermeiras atenciosas, amorosas e que me ajudaram com a questão da amamentação. Acredito que tudo isso indica que o meu parto foi humanizado!

Quantos dias você ficou no hospital?

Fiquei três dias e duas noites. Esse é o padrão para quem teve parto normal e nenhuma complicação. Para caso de cesárea, são pelo menos três dias e quatro noites. Tudo depende de como foi o parto, de como se dá a amamentação nos primeiros dias e de como está a saúde do bebê e da mãe.

No dia em que me deram alta, me perguntaram se eu gostaria de ficar mais uma noite, se eu estava me sentindo confortável para ir para casa. E eu resolvi ir, já que estávamos todos bem. 

Como era o quarto?

O quarto era de um bom tamanho, com um banheiro espaçoso, armários e uma poltrona que reclinava e virava uma cama para o meu marido dormir. Ela não era muito confortável, mas quebrou o galho. Simples, limpo e com tudo o que precisávamos.

Você podia receber visitas?

Sim, sem horário restrito e sem limitações. Pelo menos, não falaram nada. Achei legal que existe uma sala na área comum da maternidade para receber as visitas, caso eu não quisesse ter as pessoas no meu quarto.

Assim que o meu filho nasceu, colocaram um GPS no tornozelo dele que só foi tirado na hora em que fomos para casa. Se alguém tentar deixar a ala de maternidade com o bebê, um alarme dispara e os elevadores e as portas são travados. Achei isso ótimo.

Exames 

Dois exames obrigatórios que fazem no bebê antes de dar alta: o teste do pezinho e o teste auditivo.

Uma dica é levar uma pastinha vazia para você ir colocando os papéis dos exames e outros documentos importantes que irá receber. Eu saí do hospital cheia de papéis e panfletos sobre, por exemplo, a Vitamina D para o bebê, como tirar os documentos dele, pós parto etc. 

Chegou uma hora em que havia papéis por todo o quarto e muitos deles eram importantes. Então, o ideal é você ter uma pastinha para ir colocando tudo e não correr o risco de perder algum deles.

Cadeirinha do carro

Você não pode sair do hospital sem a cadeirinha. A enfermeira coloca o bebê na cadeirinha do carro e verifica se está tudo correto, antes de liberar a família.

Confesso que eu me emocionei agora escrevendo este post ao lembrar do momento em que a enfermeira nos liberou para irmos para casa. É emocionante lembrar de nós três saindo do hospital. Afinal, uma nova família se formou!

Minha mensagem para as futuras mamães

Muitas brasileiras me procuram para falar sobre seus medos de ter filho no Canadá, já que a primeira opção é sempre parto normal e a anestesia não é garantida.

Elas falam que querem fazer o parto no Brasil, no sistema privado, porque assim vão poder optar. Respeito a opinião delas, mas preciso dizer que vocês não precisam ter medo.

A equipe do Victoria General Hospital é muito bem preparada para atender as futuras mamães. Se preparem, façam os cursos de pré natal, leiam o Baby Best Chance e fiquem calmas.

Algumas amigas contrataram doula para acompanhar no dia do parto e disseram que foi ótimo, que fez com que elas ficassem mais relaxadas e confiantes. Você pode encontrar uma doula no site DV Doulas of Victoria.

Uma amiga brasileira que teve filho recentemente em Victoria postou um texto lindo no Instagram contando a experiência dela com o parto normal no Canadá. Pedi para compartilhar o texto com vocês e aqui está!

parto normal no Canadá

Gostaria de indicar dois profiles do Instagram de amigas que também tiveram seus bebês em Victoria. Acho muito importante vocês lerem outras experiências.

O Cancer não me define – A Alyne foi diagnostica com câncer de mama enquanto estava grávida e compartilha em seu perfil como foi o tratamento contra o câncer e o parto em Victoria.

Canada a Vista A Raíssa acaba de dar a luz a um meninão lindo e está contando, aos poucos, a experiência dela no perfil do Instagram e também para o Blog Casal Nerd no Canadá da Giovanna e do Han de Vancouver.

P.s: Sei que muitos gostam de fotos, mas gostaria de deixar as imagens desse dia tão especial e íntimo somente para pessoas próximas. Espero que vocês consigam nas minhas palavras visualizar o que eu quero passar.

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