Gravidez no Canadá

Gravidez no Canadá: minha primeira consulta e meu primeiro trimestre!

Quando recebi a feliz notícia da minha gravidez, ela veio com muitas perguntas. Como é estar grávida no Canadá? Claro que eu já tinha lido bastante sobre gravidez no Canadá e conversado com outras mamães, mas sempre bate aquela insegurança de como será na prática.

Se você está planejando tornar-se mãe no Canadá, a boa notícia é que de forma geral estou satisfeita com o atendimento que venho recebendo. Moro na cidade de Victoria, em British Columbia, e todo o pré-natal é feito pelo sistema de saúde público da província.

Neste post, vou contar como foi a minha experiência no meu primeiro trimestre. Se você também foi mamãe no Canadá, sinta-se à vontade para compartilhar a sua experiência usando a caixa de comentários no final do post.

Minha primeira consulta da minha gravidez no Canadá

Como toda a mulher, fiz o teste de farmácia e depois do resultado positivo, fui até uma walk-in clinic. Fiz o exame de urina na clínica mesmo e o resultado também foi positivo!

Mesmo comemorando na frente da médica, ela disse que precisava fazer duas perguntas: você pretende seguir com a gravidez? Ela foi planejada? Eu respondi que sim, que eu e meu marido estávamos planejando.

A médica tem que fazer essas perguntas porque no Canadá o aborto é legalizado. Se a minha resposta fosse diferente, acredito que outros procedimentos seriam tomados.

Ela também quis saber se eu tinha médico de família. Como não tenho, já tinha pesquisado sobre os médicos de maternidade e já sabia onde queria ir. Falei isso para ela, e ela me orientou a entrar em contato com eles o quanto antes para iniciar o pré-natal.

A médica também perguntou se eu estava tomando o ácido fólico. Como a minha gravidez foi planejada, comecei a tomar o ácido fólico assim que eu e meu marido resolvemos aumentar a família! 😉

Victoria Maternity Doctors

É comum no Canadá as mulheres optarem por midwives, pois dizem que elas dão um atendimento mais personalizado e que as consultas são mais longas. Mas conversando com outras mamães em Victoria, percebi que não tenho perfil para ser atendida por uma, por isso, optei por procurar por um médico.

Nas minhas pesquisas, cheguei ao site do Victoria Maternity Doctor, que é um grupo de médicas de maternidade. Pesquisei o nome de todas na internet e só li comentários positivos. Então, no site do Victoria Medical Society vi quem estava aceitando pacientes, e para minha alegria a dra. Daniel Kendra estava. Liguei para o consultória dela e a secretária, muito atenciosa, marcou a minha consulta para a semana seguinte.

Apesar do cansaço do primeiro trimestre continuei fazendo trilhas! 😉
Minha primeira consulta oficial de pré natal

Só tenho elogios em relação a minha primeira consulta. Diferentemente do que tinha ouvido, a minha consulta foi longa, cerca de 50 minutos. A médica foi super atenciosa e começou explicando que faz parte do Victoria Maternity Doctor, um grupo formado por onze profissionais que dividem a mesma filosofia de trabalho.

Essas médicas se revezam fazendo plantão, ou seja, há sempre uma médica da equipe disponível para ir ao hospital fazer um parto ou atender a alguma emergência com uma das pacientes. O que faz todo sentido, já que aqui é sempre parto normal, ou seja, não dá para saber quando o bebê vai nascer. A cesária só é feita quando há risco para a mãe ou para o bebê.

A médica fez várias perguntas relacionadas com o histórico familiar de saúde meu e do meu marido, o que inclui doenças mentais, como depressão e problemas com drogas.

O que mais me chamou a atenção não foram as perguntas relacionadas a saúde, pois isso já é esperado, mas sim as perguntas sobre a nossa estrutura familiar e financeira e o nosso bem estar. Seguem algumas delas:

  • Nossas profissões e se temos condições financeiras para sustentar o bebê;
  • Se moramos de aluguel ou casa própria. Quando falamos aluguel, ela quis saber se iríamos ter algum problema com o proprietário. No nosso caso, não. Meu marido explicou que às vezes o proprietário do imóvel pode exigir que a pessoa saia antes do bebê nascer. Parece que isso é ilegal no Canadá, mas não achei nada na internet sobre o assunto;
  • Se teríamos suporte dos nossos familiares e amigos. Ela perguntou se a minha família está toda no Brasil e se alguém pretende vir para cá. Se a família do meu marido irá ajudar e assim por diante;
  • Se o meu marido vai acompanhar a gravidez e ajudar no pós parto;
  • Como a gente está se sentindo com a notícia de que seremos pais. Se estamos com medo, alguma preocupação em especial, etc;

Depois da sessão de perguntas, ela explicou como será o pré-natal até a chegada do bebê. Durante o primeiro e o segundo semestres, as consultas são a cada quatro semanas e duram cerca de 30 minutos.

Tentei ficar ativa o máximo que eu consegui no primeiro trimestre. No dia da corrida/caminhada Terry Fox senti um pouco de enjoo, mas não deixei de participar! 😉
Saí do consultório com algumas papéis e apostilas de orientação:
  • Prenatal Information Sheet: tem explicações sobre como serão as próximas consultas e ultrassons. Há o contato da médica e o de emergência. Também há diversos links de organizações relacionados com o tema maternidade (vou fazer um post só com esses links).
  • Family Practice and Maternity Care: traz as regras da clínica, do hospital (em Victoria todos os partos acontecem no General Hospital) e telefones importantes;
  • Pregnancy Passport: um livreto para você ir anotando como foi a suas consultas, ganho peso, etc. Traz dicas sobre alimentação e bem estar.
  • Baby Best Chance: um guia do governo de British Columbia que fala tudo que você precisa saber sobre gravidez. Ela sugeriu que nos dois lêssemos. Você pode ler on-line também.
  • Maternity Admission Information: ficha de cadastro para o hospital. A médica pediu para preencher e trazer na próxima consulta. Muitos extended health cares cobrem o quarto privado, então, se você tem o extended health care, verifique com eles essa questão e assinale na ficha a opção quarto particular. Se você não tem, mas quer um quarto privado, serão cobrados cerca de $200.

Em todas as consultas, ela me pesa, tira a minha pressão, examina a minha barriga e ouve o coração do bebê. Em algumas consultas, ela examina as minhas mamas, verifica os pulmões etc. Às vezes, pergunta sobre algo específico, como, por exemplo, se estou tendo dores nas costas, como está o emocional, etc.

Exames solicitados no meu primeiro trimestre da gravidez no Canadá
  • Ultrassom depois de sete semanas para ver como o feto está se desenvolvendo e a idade gestacional;
  • Exame de sangue completo;
  • Exame de urina.

O exames de sangue e urina foram feitos na LifeLabs, uma rede de laboratórios com clínicas em quase todo o Canadá. Fui direto a um dos laboratórios, sem marcar consulta antes. O atendimento foi rápido.

O ultrassom quem marca é a médica no Island Ultrasound Clinic. Ela me avisou que eu receberia uma carta via correio com a data da consulta e informações sobre a preparação para o exame. Recebi a carta e, alguns dias antes do exame, uma ligação confirmando se eu poderia comparecer.

Continuo indo na academia regularmente. Treino no YMCA e a minha personal trainer fez a adaptação dos meus exercícios. Barriguinha fitness no final do primeiro trimestre – 14 semanas! 😉
Prenatal Genetic Screening

Se você tem 35 anos ou mais, o governo de British Columbia oferece o Prenatal Genetic Screening. Esse exame de sangue é feito para detectar as chances do bebê nascer com Síndrome de Down e outros problemas cromossômicos.

Aconselho você a pesquisar e conversar com o seu parceiro antes da primeira consulta. Isso porque, no nosso caso, a médica queria saber se tínhamos conversado sobre isso e se estávamos preparados para receber uma notícia não tão boa.

Ela perguntou se nós já tínhamos refletido sobre o que fazer no caso do resultado ser high risk, ou seja, da chance do bebê ter alguma alteração genética ser alta. Percebi que ela queria ver se tínhamos a mesma opinião. Sorte que conversamos bastante sobre isso, e já tínhamos a tomado a nossa decisão.

Uma coisa que achei estranha é o governo oferecer essa opção de exame, que tem apenas 83% de precisão, quando existe uma outra opção, que pode ser feita particular, com 99% de precisão. Se há uma opção melhor, por que o governo não cobre? Vai entender…

Eu acabei pagando $495 para fazer o exame com a Dynacare. Não sei se foi pelo fato de o exame ser particular, mas me deram a opção de saber o sexo do bebê. Então, não precisei esperar pelo o ultrassom do segundo semestre para saber se será um menino ou uma menina.

Leia também os relatos de outras brasileiras sobre gravidez no Canadá:

Featured image: by my friend Onur, thank you! 🙂

8 comentários sobre “Gravidez no Canadá: minha primeira consulta e meu primeiro trimestre!

  1. Como sempre um show seu post Pri! Obrigada por dedicar seu tempo já tão escasso para oferecer informações tão valiosas para nós! Beijo!!$

    1. Oi Bianca, obrigada! Que bom que gostou. Ainda não temos nenhum post sobre maternidade em Victoria acho importante compartilhar minha experiência. Acho que o post pode ajudar futuras mamães. 😉 Eu também estou aceito dicas de outras mamães que estão aqui. Qualquer informação é bem vinda! bjs e obrigada pelo carinho.

    1. Olá Edilma, agradeço pelo carinho, mas resolvemos que vamos manter essa informação somente para os familiares, pelo menos por enquanto. <3 😉

  2. Adorei o relato, Pri! Muito bom saber como funciona o sistema de saúde público das outras províncias! E parabéns mais uma vez pela gravidez! Muito feliz for vocês!! Beijos

    1. Fico feliz que gostou Elisa! Obrigada 🙂 Sim, algumas coisas mudam dependendo do lugar. Por isso coloquei os links das outras mamães brasileiras que estão em outras cidades no final do post. Cada uma tem um experiência diferente e algo interessante para contar. 😉 Beijos

  3. Adorei, Pri. Super interessante e muitas informações que eu não sabia. Só fiquei curioso em saber o motivo pelo qual você não ter um médico de família, mesmo depois de tanto tempo morando aí. No mais, que tudo continua dando certo. Abraço 😉

    1. Olá Derick, na verdade estamos com falta de médicos de família na província. Como eu e o meu marido somos considerados saudáveis, então é mais difícil conseguirmos um. Quando o médico da família do meu marido se aposentou o médico que pegou a lista de pacientes só ficou com a minha sogra por ela ser mais velha. Ele não aceitou nem meu marido e nem eu porque estamos bem. Abraços. 🙂

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